Novo aumento na Selic pode interferir na construção civil

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Nos últimos meses, o mercado brasileiro tem enfrentado um cenário econômico turbulento. Com o dólar em oscilação na casa dos R$ 6, inflação elevada e instabilidade no comércio internacional, a expectativa agora é de que o Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central anuncie um novo aumento na Selic e eleve dos atuais 13,25% para 14,25%.

Caso confirmado, este será o quinto aumento consecutivo da taxa básica de juros.

Mas afinal, como o aumento na Selic pode influenciar o setor da construção civil, um dos mais importantes para a economia? É isso que vamos analisar em detalhes neste artigo.

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Por que o aumento na Selic impacta a construção civil?

A construção civil é sensível a variações na taxa básica de juros, porque o financiamento imobiliário, principal instrumento de compra de imóveis no Brasil, é influenciado pela Selic. 

Com a taxa mais alta, os financiamentos ficam mais caros, o que reduz o poder de compra dos consumidores e impacta nas vendas do setor.

Apesar do cenário desafiador, o setor ainda segue em expansão, embora abaixo do seu potencial máximo. Contudo, um novo aumento na Selic pode tornar ainda mais delicado o equilíbrio das construtoras e exigir uma revisão nas estratégias financeiras e comerciais das empresas.

Efeito dominó: Selic alta, crédito restrito e inadimplência

O aumento na Selic torna o crédito mais caro para empresas e consumidores. Isso significa que bancos passam a conceder empréstimos com mais cautela e restringem a oferta de crédito para pessoas físicas e jurídicas. 

Para o setor imobiliário, isso se traduz em menos vendas e aumento dos riscos relacionados à inadimplência.

Construtoras que dependem apenas de recursos próprios e do fluxo de pagamentos dos adquirentes enfrentam um risco ainda maior, visto que os atrasos nos pagamentos dos consumidores podem desestruturar o fluxo de caixa e causar graves problemas financeiros.

Alternativas para construtoras enfrentarem o aumento na Selic

Diante deste cenário, uma estratégia para empresas do setor é diversificar as fontes de financiamento. O apoio de investidores pode ser uma solução estratégica e pode auxiliar na dependência do capital próprio e minimizar os riscos associados ao fluxo de pagamentos.

Buscar alternativas no mercado de capitais, como os fundos de investimento imobiliário, Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) e outras modalidades de crédito privado, pode ser uma saída viável para reduzir o custo do dinheiro. 

Especialistas do setor já apontam que os FIDCs devem se tornar um dos principais canais de crédito nos próximos anos e substituir aos poucos o crédito bancário tradicional.

Além disso, é importante para as construtoras realizarem uma revisão detalhada do seu planejamento financeiro. Com juros altos, cada decisão precisa ser analisada para evitar que o aumento das despesas financeiras comprometa a saúde econômica da empresa.

Oportunidades e desafios no mercado de capitais

Com o crédito bancário mais caro e restrito, os fundos de crédito privado são uma opção cada vez mais atrativa. Porém, acessar esses fundos demanda um nível alto de transparência e governança corporativa, algo que muitas empresas do setor imobiliário ainda precisam aprimorar.

Por outro lado, para aquelas que se adaptarem rapidamente, existem oportunidades reais de captar recursos com condições mais favoráveis do que as oferecidas pelo sistema bancário tradicional. 

O mercado financeiro está aberto a empresas que demonstram controle sobre riscos, transparência na gestão e viabilidade econômica dos seus projetos.

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Aumento na Selic e o impacto nas vendas de imóveis

Para o consumidor final, o aumento na Selic representa parcelas mais altas no financiamento imobiliário e mais dificuldade em obter aprovação de crédito. 

Como consequência, a demanda por imóveis pode diminuir em segmentos mais sensíveis a variações econômicas, como imóveis populares e de médio padrão.

Nesse cenário, as construtoras precisam ajustar suas estratégias comerciais e oferecer condições diferenciadas, flexibilização no pagamento e até mesmo descontos maiores, para manter a atratividade de seus produtos.

Como se preparar para cenários de juros elevados?

O mercado precisa se adaptar às constantes mudanças econômicas. Com juros em alta, é importante que as construtoras apostem em estratégias que aumentem a eficiência operacional e financeira:

  • Realizar análises constantes e precisas de riscos financeiros;
  • Diversificar fontes de crédito e financiamento;
  • Investir na capacitação de equipes para tomada de decisões mais ágeis e assertivas;
  • Aumentar o foco na gestão de fluxo de caixa;
  • Explorar parcerias estratégicas para dividir riscos e otimizar custos.

Perspectivas futuras: a Selic vai continuar subindo?

Embora não exista uma certeza, o cenário econômico global e nacional sugere que taxas elevadas poderão persistir por algum tempo. 

Com o dólar em alta e inflação acima da meta, a tendência de alta da Selic poderá se manter até que haja sinais mais claros de estabilização econômica.

Por isso, é fundamental que as construtoras mantenham uma estratégia conservadora e estejam prontas para cenários ainda mais adversos. Preparação financeira e operacional será a chave para atravessar períodos turbulentos sem comprometer o crescimento a longo prazo.

Conclusão

O novo aumento na Selic pode representar um desafio para a construção civil. Contudo, com planejamento adequado, diversificação de fontes de crédito e uma gestão financeira rigorosa, é possível minimizar os efeitos dessa alta.

Construtoras que adotarem estratégias bem definidas terão maiores chances de não apenas sobreviver ao cenário atual, mas também de crescer e aproveitar as oportunidades que surgem no mercado de capitais. 

Afinal, mesmo em cenários difíceis, sempre há espaço para quem está preparado para inovar e se adaptar.

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