Como a Selic impacta no setor de construção civil?

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Atualmente, a taxa Selic está em 13,25% ao ano, um patamar elevado que impacta diversos setores da economia, incluindo a construção civil e o mercado imobiliário. 

Com a Selic alta, os juros dos financiamentos sobem, o que torna a compra de imóveis mais cara e reduz o ritmo de novos projetos no setor. 

Além disso, programas habitacionais como o, Minha Casa, Minha Vida também sofrem com essa elevação, já que o custo do crédito influencia os subsídios governamentais e a previsão dos projetos.

Neste artigo, vamos explorar como a Selic é definida, seus efeitos sobre o mercado imobiliário e as estratégias que as construtoras podem adotar para períodos de juros elevados. 

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O que é a taxa Selic?

A Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) é uma taxa básica de juros. Ela serve como referência para todas as outras taxas de juros do mercado, como financiamentos imobiliários, empréstimos bancários e investimentos de renda fixa.

Quando a inflação está alta, o Banco Central tende a aumentar a Selic para desestimular o consumo e conter a alta dos preços. Por outro lado, quando a economia precisa de estímulo, a Selic pode ser reduzida para facilitar o crédito e o incentivo aos investimentos.

Como a Selic é definida?

A taxa Selic é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), um órgão do Banco Central do Brasil responsável por estabelecer uma política de juros do país. A cada 45 dias, o Copom se reúne para avaliar o cenário econômico e decidir se mantém, aumenta ou reduz a taxas, sempre para equilibrar o crescimento econômico e o controle da inflação.

Para tomar essa decisão, o comitê analisa diversos fatores que influenciam diretamente a economia. Um dos principais critérios avaliados é a inflação.

Se os preços sobem, o Banco Central tende a aumentar a Selic para encarecer o crédito, desestimular o consumo e reduzir a pressão inflacionária.

No entanto, se a inflação estiver controlada ou abaixo da meta, a taxa pode ser reduzida, tornando o crédito mais barato e incentivando a atividade econômica.

Além da inflação, o nível de atividade econômica também pesa na decisão do Copom. Se o país estiver em uma recessão ou com baixo crescimento, a redução da Selic poderá estimular o consumo e os investimentos, tornando o crédito mais acessível para empresas e famílias. 

No entanto, se a economia estiver aquecida demais e houver risco de inflação elevada, o aumento da Selic pode ser necessário para conter a demanda e evitar um descontrole nos preços.

Outro fator determinante é o câmbio e o fluxo de capitais. Uma Selic elevada pode atrair investidores estrangeiros específicos em rendimentos mais altos, fortalecendo o real e a redução do custo de produtos importados. 

Em contrapartida, uma Selic mais baixa pode desvalorizar a moeda, tornando as moedas mais caras e pressionando a inflação.

Além dos fatores internos, o Copom também leva em conta o cenário externo. Decisões de bancos centrais de outros países, como o Federal Reserve (FED) dos EUA, influenciam o fluxo de capitais globais e podem impactar a política monetária brasileira. 

Se o FED aumentar os juros, por exemplo, os investidores podem retirar recursos do Brasil para buscar ativos americanos mais seguros e rentáveis. Nessa situação, o Banco Central pode precisar ajustar a Selic para manter a competitividade do país e evitar uma fuga excessiva de capital.

Como a taxa Selic impacta a construção civil e o mercado imobiliário?

A construção civil é um setor altamente dependente de crédito, já que as obras exigem grandes investimentos e tanto construtoras quanto incorporadoras e consumidores precisam de financiamentos. 

Um dos principais efeitos da Selic na construção civil está no custo dos financiamentos imobiliários. Quando os impostos sobem, os bancos aumentam os juros dos financiamentos, tornando a compra de imóveis mais cara. 

Essa elevação dos custos desestimula o consumo e reduz a demanda por novos empreendimentos. Por outro lado , quando a Selic cai, os juros dos financiamentos também diminuem, facilitando a aquisição de imóveis e impulsionando o crescimento do setor.

Além do impacto no crédito ao consumidor, a Selic também afeta os investimentos em novas construções. Com juros altos, as construtoras enfrentam mais dificuldades para obter crédito para novos projetos, o que pode resultar na paralisação de obras e até em demissões no setor.

Em contrapartida, em um cenário de juros baixos, o crédito se torna mais acessível e incentiva investimento e amplia a realização de obras, contribuindo para a geração de empregos.

Outro aspecto é o impacto da Selic no custo dos materiais de construção. A taxa afeta a inflação e, consequentemente, os preços dos insumos utilizados nas obras. 

Para conter a inflação, os materiais de construção podem se tornar mais caros, elevando os custos dos projetos e dificultando a previsão das construções.

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Como a taxa impacta programas como o Minha Casa, Minha Vida

O Minha Casa, Minha Vida é um programa habitacional do governo que facilita o acesso à moradia para famílias de baixa renda, proporcionando financiamento com taxas de juros reduzidas, muitas vezes abaixo da Selic. No entanto, apesar destas condições diferenciadas, a taxa Selic ainda impacta o programa de diversas formas.

O acesso ao crédito é diretamente influenciado pela Selic e o orçamento do governo também sofre impactos, pois uma Selic eleva mais o custo da dívida pública, limitando os recursos disponíveis para subsídios habitacionais, o que dificulta a ampliação do programa.

Outro fator importante é o custo das construções, já que o encarecimento do crédito e o aumento dos preços dos materiais de construção podem desestimular a participação de construtoras, diminuindo a oferta de novas moradias populares.

Quem ganha e quem perde com a variação da Selic?

A variação da Selic impacta diferentes setores da economia, beneficiando alguns e prejudicando outros, dependendo do cenário. Quando a Selic está alta, os maiores beneficiados são os investidores de renda fixa, porque aplicações como CDBs, Tesouro Direto e fundos CDI passam a oferecer rendimentos mais atrativos.

Além disso, os bancos e instituições financeiras também se beneficiam, tendo em vista que o crédito se torna mais caro e aumenta os lucros com empréstimos e financiamentos.

Por outro lado, a alta da Selic prejudica setores que dependem do crédito. Construtoras e incorporadoras enfrentam dificuldades, já que o custo do crédito aumenta e novos empreendimentos se tornam menos viáveis.

Consumidores e compradores de imóveis também são impactados em qualidade, pois os financiamentos imobiliários ficam mais caros, dificultando o acesso à casa própria. Como consequência, o setor imobiliário sofre uma desaceleração, com queda nas vendas e redução no número de novos projetos.

Estratégias para construtoras lidarem com juros altos

Diante do cenário atual, as construtoras precisam adotar estratégias para minimizar os impactos e manter a rentabilidade. Uma das principais medidas é firmar parcerias com bancos, negociar taxas especiais para financiamentos e facilitar a compra de imóveis pelos clientes.

Além disso, focar em imóveis populares, como o programa Minha Casa, Minha Vida, pode ser uma alternativa viável, porque esse segmento sofre menos com os juros altos devido aos subsídios governamentais.

Outra alternativa interessante é a captação de recursos diretamente com investidores e geram a dependência dos financiamentos bancários que garantem maior flexibilidade financeira para a realização dos projetos.

Conclusão

Para as construtoras, entender e antecipar os efeitos da Selic é essencial para desenvolver estratégias e manter a competitividade no mercado.

O setor imobiliário sempre passa por ciclos econômicos, e a chave para o sucesso é a adaptação e a inovação diante das mudanças nas taxas de juros.

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